Impulso não há. Não há força. Vão-se horas, dias, semanas. Nada muda. Vida de clichês. Pobre racionalidade. Raiva parcimoniosa. Amores líquidos. Amizades fluidas. Opulência de mesquinharias. Verdades absolutas. Fascismos presentes. Estética barata. Permeabilidade para vãs liberdades maculadas de controle. Impermeabilidade para a poesia. Beleza frágil. Rebeldia fugaz. Perde-se numa prudente imprudência moralítica, resultante de uma dialética entre tradição e tradução.
Não suscitas vibrações.
Não és brutal.
Não há vísceras.
Pele sem
mistério.
Corpo orgânico.
Celebras a paz e não tens coragem de guerreiro. O acaso é o leme que guia a vida para a morte. Vida na maré, que leva e traz, que a lua faz. De uma estrela que não brilha. Impureza higiênica que não é capaz de um abalo que rompe uma cena, de um detalhe que gera um des. Híbrido sem ser trans, move apatias e não pertences ao fogo. Frieza e o descarte de uma vida.
Sem fantasias sem fim, as alegrias são felicidades de superfícies, que se estendem e se escorrem durante um tempo crônico. Não subvertes a sintaxe. Corpo e alma em paradeiro, presos ao chão de um espaço estriado. Ignoras o instante e tudo aquilo que tem a capacidade de quebrar a plenitude e estabelecer o caos. In-divíduo, que não desejas fragmentar suas partículas de matéria pelo não-espaço.
Guerreias, mas cartesianamente. Tática de xadrez, que obedece à tríade início-meio-fim. Conflito racional, normativo, burocrático. Filosofia ideal. Ética do trivial. Medos latentes. Sexo tétrico, de um flerte não instintivo. Santos que projetam. Deuses e demônios.
Do silêncio paralitico só remetiam juízos. As imagens nunca são tão claras! Punhal e retina. Palavra-potência. Arte de afetos. Flecha e o olhar. Violência de uma esquizo-análise. Mas as cores eram rotinas. Histórias e não estórias.
Para enxergar o infinito em baixo dos pés não basta olhar de cima! Do figurado atemporal só ficaram platôs. E da inocência lúdica só restaram sombras.
Autor: João Paulo Duarte Gusmão